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FOTOS E ENTREVISTA: Bill Skarsgård conta detalhes de sua preparação para “IT: A Coisa” e mais para a revista Dazed
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Capa da edição de agosto da revista Dazed, Bill Skarsgård conta detalhes de sua preparação para o papel de Pennywise em “It: A Coisa” e comenta sobre seus novos projetos:

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ENSAIOS FOTOGRÁFICOS | PHOTOSHOOTS > DAZED MAGAZINE – JULHO 2017

O que foi tão icônico não apenas sobre o livro, mas também sobre a minissérie, é que as crianças assistiam em uma idade muito nova“, Skarsgård oferta. “Se você tivesse assistido quando adolescente, “IT” não teria te afetado tanto, mas se você o assistiu quando tinha a mesma idade que as crianças que são as vítimas no filme, com certeza você ficaria afetado. Algumas pessoas vieram até mim e disseram: “Oh, meu Deus! Eu não consigo acreditar que você está fazendo a ‘Coisa’! Esse filme me traumatizou, eu fiquei tão assustada.’ É tipo que um fascínio pelo medo ou por qualquer coisa que eles viveram. É muito estranho, porque obviamente crianças não estão indicadas a assistirem ao filme, mas tem crianças nele.”
Skarsgård alcançou o que quase todos os atores querem fazer: deixar o público marcado por muito tempo, mesmo com os créditos subindo na tela branca do cinema. Ele está preparado para ser um padrão de medo para uma nova geração de jovens e “It: A Coisa” será o novo filme a ganhar a marca de assistir-uma-vez-e-nunca-mais. Basta perguntar para os extras de uma cena no filme em que Pennywise aparece em uma TV aterrorizando um grupo de crianças, todas mais jovens que as crianças do elenco principal.

Eu caminhei por esta cena, como o personagem, até onde as crianças estavam sentadas“, diz Skarsgård. “Eles nunca tinham me conhecido antes, muito menos eu como o Pennywise. Andy (Muschietti) estava atrás da câmera gritando as direções e ele dizia: ‘Bill, pegue uma das crianças! Pegue uma das crianças e ande [com ela] para fora da lente da câmara’, então eu corri na direção das crianças, rindo maníacamente, e peguei uma que estava muito apavorada! E Andy disse: ‘oh não, não esse cara!’ – Eu tive que trocar a criança e encontrar uma que não estava tão assustada. Foi estranho porque no momento em que eles disseram ‘corta’, algumas crianças ainda estavam tremendo. Eu tentei dizer: ‘oh, eu sou apenas um ator, isto é tudo fingimento’, e e eles meio que olharam para mim com desconfiança. Isso fez eu pensar: se eu fizer meu trabalho direto, e se eu estiver tão assustador como eu quero que seja, terá muitas pessoas que terão essa reação com a minha performance e com o filme. É uma coisa estranha que eu tenho que lidar.”

Preservando a pureza da falta de familiaridade até mesmo com o Loser’s Club, que o conheceram apenas uma vez antes das filmagens, durante a leitura de roteiro. A primeira vez em que eles viram Bill caracterizado de palhaço foi no estúdio.

Tem uma cena com Jack (Dylan Grazer), que interpreta Eddie“, diz Skarsgård. “Eu saí de dentro de um refrigerador e comecei andar em direção dele e fiquei bem próximo de seu rosto. Quando eles gritaram ‘ação’, eu entrei no personagem – foi muito, muito intenso. Eu estava o babando todo, Jack estava chorando e gritando. É horrível, mas você sabe, é para o filme. No entanto, assim que eles gritaram ‘corta’, eu perguntei para ele: Ei, você está bem, Jack?’ e ele virou para mim e disse: ‘Sim, cara! Isso foi incrível para caralh*! Eu amei o que você estava fazendo, você é incrível!’ ele eu pensei: ‘O que eles são? Eles são pequenos profissionais”.

Filmando em Toronto durante três meses no ano passado, Skarsgård trabalhou muito em criar a sua versão de Pennywise. O filme já estava há mais de um mês sendo produzido antes dele ter gravado sua primeira cena, tempo que usou para pensar o que ele faria com o personagem.

Eu tive muito tempo sozinho“, ele diz. “E as noites de insônia me fizeram pensar em todas as coisas prováveis que eu poderia fazer de errado. Eu já fiz adaptações antes, mas nunca algo que tem toda essa antecipação. Eu tive que dizer para mim mesmo: ‘Eu estou me preparando muito e me importando com esse personagem e com essa performance’– no final do dia, eu sinto que estou muito orgulhoso com o resultado, estou feliz o bastante. Neste ponto, eu estou muito animado para ver como as pessoas vão responder”.

Skarsgård estava ansioso para explorar a fundo sobre a entidade atormentada por trás do palhaço como si – é um personagem mais abstrato que você pode imaginar. “Pennywise é uma forma que essa entidade está usando – uma manifestação dos medos das crianças“, ele explica. “Eu procurei entender mais do que apenas o que o palhaço é, mas o que também está por trás do palhaço. Parte disso foi psicológico, estranho e imprevisível.
Tem um capítulo no livro em que Mike Hanlon está analisando o que ele acha que Pennywise deve ser, e ele chega a conclusão que ele é a forma favorita da entidade. Então tem esse senso de apreciação que esta entidade tem enquanto ela é um palhaço. Eu penso que essas coisas eram realmente interessante de se explorar, para criar algo que seja muito inquietante em termos de imprevisibilidade. Eu trabalhei muito duro tentando levar isso para o filme… Tem muito mais sobre a Coisa do que está sendo dito”.

Fisicamente, existem atributos para performance que são muitos únicos de Skarsgård, mesmo que o tenha levado para o limite. O ator é quase irreconhecível através das camadas de maquiagem, o que o faz ter uma aparência de ídolo de matinê.
Eu tenho um olho um pouco louco no meu lado esquerdo, então se eu relaxar o músculo próximo ao olho, meu olho esquerdo vai para outra direção e me torno completamente vesgo“, ele diz. “Nós pensamos que seria legal usar no personagem, então, no decorrer do filme, os olhos dele estão olhando em duas direções. Essas são as coisas que eu brincava, mesmo antes de estar com a maquiagem. Eu tive próteses em minhas bochechas – quando você tem essas bochechas inchadas faz com que você tenha a aparência mais infantil. Isso foi algo que nós procuramos explorar. Ele é a manifestação das crianças, então ele é uma espécie de criança dele mesmo. Ele tem esses elementos infantis – o que é algo que eu acho, obviamente, muito perturbador.”

Os jovens atores do filme, Jaeden Lieberher, Sophia Lillis e Finn Wolfhard – se divertiram tanto quanto o protagonista malevolente, com os palavrões pesados por toda parte. “Eles não estavam permitidos xingar na frente dos pais deles, mas quando a câmera estava ligada eles estavam permitidos a falarem qualquer coisa que eles queriam” diz Skarsgård. “Isso é realista – eu nunca xinguei tanto quanto eu xingava quando eu tinha 12 ou 13 anos, porque essa é a idade em que você está tentando explorar e é excitante dizer todas essas coisas para seus amigos. [Quando] eu vi o filme eu pensei: ‘Eu não sei se nós estamos batendo algum tipo de recorde aqui’. Você sabe que Scarface tem, tipo, 276 ‘porras’ ou qualquer coisa assim, e está no Guinness Book of World Record? Eu não sei se tem qualquer outro filme onde crianças de 12 anos falam tanto ‘porra’ como falam em ”It: A Coisa’.”

Talvez a história real mais bizarra e assustadora de “It: A Coisa” foi a situação que Skarsgård viveu durante as gravações – quando houveram ataques de palhaços se espalhando como vírus por todo planeta em 2016, da América do Norte para a Europa, da Austrália para a América Latina. Até mesmo a Suécia, país natal do ator, foi afetado.

Foi muito louco“, ele diz. “Nós liberamos a foto de como o Pennywise seria e no mesmo tempo isso começou acontecer. Meus amigos e minha família me enviavam artigos e diziam: ‘Ei Bill, o que você está fazendo em Ohio?’, ou ‘Ei Bill, o que você está fazendo na Carolina do Sul?’, obviamente, existe uma diferença entre atuação para fazer um filme e fazer isso na vida real”.

A mídia deu para os ataques o oxigênio que eles necessitavam, criando um flashmob intercontinental. Uma coisa é certeza: quando pensamos em palhaços, é impossível tirar da equação a criação mais famosa de Stephen King. Penywise está muito enraizado na nossa cultura, praticamente faz parte do nossos subconsciente. Não é tão diferente do Papai Noel, quem nós achávamos que sempre existiu – mas nós esquecemos que ele ganhou as roupas vermelha pela Coca-Cola para vender mais.

Passando um tempo com Skarsgård, você esquece que ele é parte de uma elegante dinastia de atores. Ele irá mencionar isso, mas apenas se você perguntar. Seu pai é o celebrado Stellan Skarsgård – uma figura muito louvada pelos atores. A família costumava viajar para todos os lugares que Stellan estava filmando, ficando alguns meses em Camboja ou Escócia. Talvez seja por isso que Bill ainda não tenha seu próprio lugar, preferindo alugar em lugares que ele está, se dividindo entre Los Angeles, Nova Iorque, Toronto e Suécia. O único requisito obrigatório é espaço para se divertir – um lugar para uma grande mesa de jantar, com muitas pessoas criativas sentadas ao redor, é algo que Skarsgård que continuar mantendo.

Pennywise é o papel de maior requinte para Bill Skarsgård até o momento, e nós o veremos se tornar devidamente famoso – ele está à beira do precipício, pronto para o próximo passo em sua carreira. Ele rapidamente cresceu na indústria de filmes na Suécia depois de conseguir quatro papéis de protagonista em sucessão, incluindo o aclamado “Simple Simon“, interpretando o adolescente com síndrome de Asperger. Skarsgård também tem uma base de fãs fiéis que o acompanharam em “Hemlock Grove”, uma série de terror da Netflix que tem lobisomens e vampiros, inclusive, Skarsgård interpreta Roman, um adolescente milionário que mascara suas inseguranças com sexo, drogas e correndo com sua Jaguar XK150. Ano que vem, ele retornará para o universo de Stephen King em Castle Rock.
Eu não era um grande fã de filmes de terror enquanto eu estava crescendo. Eu nunca estive muito animado com a sensação de ficar assustado“, ele diz, uma revelação surpresa, dado em conta os seus papéis obscuros. “Então eu comecei assistir muito porque eu estive fazendo muitos trabalhos com a temática de terror“, Seu filme favorito? O banho de sangue sul coreano ‘OldBoy“.

“Eu não me importo com os vilões – Eu acho que existe algo com eles que os tornam mais complexos e interessantes, nesse senso de ‘bom rapaz, mau rapaz’. Os bons rapazes têm constantemente apenas uma dimensão, onde tradicionalmente os maus rapazes são mais desprezados. Eles tem muito mais direções e motivos para manipulações”, ele notifica.

“É realmente difícil chegar ao ponto sobre o que realmente inspira você ou o que realmente te deixa animado em termos de performances ou personagens“, ele continua. “É como se estivéssemos definindo qual música realmente nos deixa animado, você entende? Eu apenas gosto de explorar pessoas que são diferentes de mim de todos os jeitos. Obviamente, eu quero fazer diversos tipos de papéis e personagens diferentes que eu posso. Eu não acho que eu esteja nesse nível ainda.”

Um mês antes de “It: A Coisa” estrear nos cinemas, você pode assistir Bill em Atômica, um filme de espionagem estrelado por Charlize Theron e James McAvoy. Skarsgård interpreta Merkel, um alemão em roupas punk. Ele também acabou de gravar Assassination Nation, estrelado por Bella Thorne, Hari Ned e a estrela R&B Abra, que está previsto pra ser lançado esse ano. “Sam (Levinson) escreveu este incrível roteiro e subiu de nível enquanto nós estávamos gravando“, Skarsgård comenta. “Eu estou muito animado para ver como ele irá finalizar o projeto. É sobre nossa época e sobre o que significa ser uma jovem mulher no mundo de hoje.”
Skarsgård poderia, compreensivelmente, ficar feliz se recebesse uma ligação do maior autor notório do cinema, Lars Von Trier, diretor que adora colaborar com seu pai, Stellan, e que também já trabalhou com seu irmão, Alexander, em Melancolia (2011).
Eu acho que Lars é um dos melhores diretores da nossa época; os filmes sempre tem esta combinação dark, filosófica e hilária“, ele diz. “Tem uma voz particular o que ele faz e isso é único para ele, você pode perceber apenas assistindo cinco minutos de qualquer um de seus filmes. Eu ouvi tantas histórias sobre como ele é nos estúdios de seus filmes – é extremamente aberto, você é encorajado a fazer cada cena de maneira tão diferenciada quanto você puder fazer, você apenas explora tudo. A relação de meu pai com Lars sempre foi algo que eu almejo ter – eu espero que eu encontre meu próprio Lars em termos de ter alguém que pode fazer sete filmes comigo”.

A única coisa que entra como rivalidade com a paixão de Skarsgård por atuação, é as artes marciais mistas (MMA-UFC) – algo que ele realmente fica animado.
Eu sou viciado“, ele diz. “Alexander Gustafsson é um lutador peso pesado da Suécia, ele é enorme, meu favorito. Ele teve essa luta lendária com Jon Jones pelo cinturão peso pesado em 2013, quando nos estávamos gravando Hemlock Grove em Toronto. Até o momento, é uma das maiores lutas da história [desse esporte]”

Toda a platéia trocou sua torcida de Jones para o sueco azarado. Todo mundo estava torcendo para ele e foi maravilhoso, um momento surreal. Ele perdeu a luta, mas ele venceu a platéia”.

É quase – quase – como se Skarsgård tivesse contando uma versão de sua própria história. Todo mundo está disposto a elogiá-lo – como o diretor Andrés Muschietti. Até mesmo Stephen King tweetou em março que o filme “superou minhas expectativas. Relaxe. Espere. E aprecie“.
Bill trouxe um balanceamento inquietante para Pennywise” diz Muschietti. “Ultra-magnético e ambíguo, o gênio e o lunático, o palhaço e o monstro, a presa e o predador. Ele trouxe loucura imprevisibilidade e entrou profundamente no personagem. Ele conquistou o papel sem medo ou hesitações. Eu nunca havia visto nada como isso antes.

It: A Coisa, 07 de setembro nos cinemas brasileiros

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